29 agosto 2022

Miga LXV : Raíces

 

Raíces
*

Furam fondas as raíces
do nosso velho carvalho
polos resquícios das pedras,
metem-se nos interstícios.

Em pesca de terra aireada,
buscam matença e frescura.
Co seu esforço constante,
atopam bafejo e vida.

🌟



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25 agosto 2022

Miga LXIV : Paraíso terrenal

 

Paraíso terrenal
*

Maduram as maçãs,
que a terra nos regala,
mas se nom as comedes,
podrecem.
Deleites e prazeres,
alegram a existéncia,
ao fazer mal uso deles,
enfermades.
Herdastes um paraíso
cheio de maravilhas,
que senom o coidades,
desaparecedes.

🌟



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23 agosto 2022

Miga LXIII : Lugares

 

Lugares
*

Há lugares onde nom da chegado
a luz do Sol, nem chegará.
Há lugares duma sombra perpétua
onde sempre é inverno e todo geada.

Se se poideram quentar esses nortes
tam frios e tam sombriços,
se os poideramos pór de cara ao Sol !,
se se poideram queimar suas geadas !.

Convosco estarei no norte sombriço,
vivirei no preto gelo
e sentadinhos na fouce da Lua
contaremos as estrelas do ceo.

E sentindo-me sem sede nim fame,
como os dias passaram-me,
sem ánsia algumha de estar cos amigos,
sumido na minha amiga soidade.

E pode que morrerei desnutrido,
comido pola ansiedade,
se meus olhos nom divisam aginha
um quente raio de luz que me guie.

🌟



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21 agosto 2022

Miga LXII : Velha beleza

 

Velha beleza
*

Nom caduca a beleza,
senom nossa mirada passageira.
Flor que perde a forteza,
deixa de ser primeira,
passando-lhe sua fermosura à herdeira.

O seu jeito ilustrado,
de lindos epítetos maioria. 
Madureza e legado
é sua sabedoria
pra uma nova vida, uma nova euforia.

🌟



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20 agosto 2022

Miga LXI : Auga clara

 

Auga clara
*

A auga que corre clara,
som as palavras que morrem
na mesma ponta da língua,
que nós iremos bebendo,
passando de boca em boca.

🌟



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19 agosto 2022

Miga LX : Casa dos prazeres

 

Casa dos prazeres
*

Na casa dos prazeres
hai muitas angústias,
sintem-se berros
e hai muito alvoroço.

Soportar padeceres,
quando ainda se é moça,
nom parece boa história.
Melhor se começo.

🌟



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18 agosto 2022

Miga LIX : Encontro

 

Encontro
*

Por um caminho de pedras,
uma noite de Lua nova,
caminhando bem devagar,
num bosque espesso e sombriço.

Mesurando a respiraçom,
para nom ter um tropeço.
Pausando bem as palavras,
assim falaria convosco.

Será a plena luz do dia
i espero sentir-me livre
quando tal feito aconteça
e sanar a minha doença.

Dipois escrevirei versos
com frases que nom vos diga.
Recordarei vosso encanto,
vossa voz e nosso encontro.

🌟



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12 agosto 2022

Miga LVIII : Mirada de amor

 

Mirada de amor
*

E quando o amor mira-te
aos olhos fixamente,
estás perdido.

A consciência perdedes
quando por diante vedes,
um ceo aberto.

Onde todo era vazio,
desborda de súpeto,
todo está cheio.

E quedas sem alento,
afoga-te num suspiro,
toleas sem remédio.

🌟



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11 agosto 2022

Miga LVII : Recordos durmidos

 

Recordos durmidos
*

Tenho recordos durmidos
que nom os dou espertado.
Sinto neles as respostas
do que me foi denegado.

Som recordos que dormem
dia e noite comigo.
Foço-os pra ver se saem,
mas nunca dam saído.

🌟



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09 agosto 2022

Miga LVI : Santiago moço

 

Santiago moço
*

Foi no monte do Gozo
que apareceu Santiago moço,
num cavalo branco sem montura,
pola noite de Sam Lourenço.

E desapareceu coma um raio
até a fonte da Prateria
e agora preside orgulhoso
o pórtico da Glória.

🌟



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07 agosto 2022

Miga LV : Aprendendo a cantar

 

Aprendendo a cantar
*

Logo chegou a aurora
entre dores e vento.
Da man do mar e ondas
entra uma brisa bela.

Justinho livro aberto
e um ramo de rosas.
Eu digo adeus amigas,
companheiras coristas.

Adeus vozes e rimas.
Conservo o vosso canto,
o meu melhor recordo
duma música viva.

Melodias que eu sinto
saindo coma frechas,
da gorja direitinhas
até os vossos coraçons.

🌟



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05 agosto 2022

Miga LIV : Palavras douradas

 

Palavras douradas
*

Revolvendo nas palavras
como quem remexe na terra,
em busca de ouro.

Remexendo sem tasa,
buscando palavras douradas
que nos fagam ricos.

Em pesca dumas verbas
imaculadas, puríssimas,
que brilhem coma o Sol.

A palavra dourada,
precisa e preciosa
que alvoroce o coraçom.

Palavras que ardam
no peito ao senti-las,
por pura definiçom.

🌟



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01 agosto 2022

Miga LIII : Presa rendida

 

Presa rendida
*

Deitado na sombra
dum velho carvalho,
sem saber o por que, 
eu mirei cara atrás.

Ali estava ela,
estampa serena,
olhando para mim,
a mulher espida.

Cumhas ás de águia,
que paralizou-me.
Quedei como pedra
peneda do Pindo.

Azul era o fondo,
rabioso celeste,
um ceo de rapinha, 
eu um espertelho.

E pousei-me aos seus pés,
fum presa rendida.
Estendeu as suas ás
e ardeu o Mundo.

🌟



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31 xullo 2022

Miga LII : Alma de cristal

 

Alma de cristal
*

Por uma alma de cristal
é que vivo com pena;
sua frágil compostura
duma tenra buchinha.

Entre manada de feras
disfarzadas de floristas,
passeia a sua feitura
a luz brilhante da Lua.

🌟



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29 xullo 2022

Miga LI : Um rio de palavras

 

Um rio de palavras
*


Uma cheia de palavras
nascem nas cimas nevadas.
Vam correndo polas pedras,
rio abaixo musicais.

Coa harmonia amplificada,
corre o verbo primigénio,
para escuita-lo e colhe-lo,
i escreve-lo em cantigas.

Correm delicadas verbas
para serem recitadas,
modestas e transparentes,
som pingas de auga inocente.

Contempla-nas meus sentidos,
sem sentir delas fartura,
nim dou feito coa leitura
que a minha ánima sinte.

Corre um rio de escritura
para ser interpretada.
Bola de neve que roda
sem literária demora.

🌟



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28 xullo 2022

Miga L : Poesia

 

Poesia
*

Essa fonte das ideias, poesia
e ponte entre outros mundos, poesia.
Irresistível vertigem de palavras
e música sinfónica da alma.

Essa pequena semente que germina
para ir medrando entre uns suspiros,
com suas grandes ás de libertade,
envoltas de amor e sensibilidade.

A necessária e constante busca
da misteriosa verdade inalcançável.
A nossa penitente necessidade
duma sonhada espiritual evoluçom.

Uma urgente saída das trevas,
numa onírica e fantástica viagem.
A sentida aperta ao universo,
bicando o infinito verso a verso.

🌟



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05 xullo 2022

Miga XLIX : Terra

 

Terra
*


De quem é iste coraçom
que chamamos-lhe Terra
e arde por dentro sem descanso ?.

Que nos está dizindo
com tam rítmica dança?,
que cousa quere que escuitemos ?.

Nascimos no seu berço.
Levamos a sua marca.
Por que está-nós seduzindo ?.

Tam só somos micróbios
vivindo na cortiça
duns infinitos atrativos.

Células do seu corpo,
nossa ínfima matéria
que nela dissolveremo-nós ?.

🌟



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04 xullo 2022

Miga XLVIII : Tempo de juventude

 

Tempo de juventude
*

Como bule o tempo da juventude !.
Morrem as ilusions nom consumidas
e nom quero acordar algumhas cousas.
Nom podo olhar atrás cheio de saudade.

Quero um agarimo vivo e presente,
como raio de luz nas nossas vidas.
Ter minhas louvadas já bem ganhadas.
Agora quigera ver claridade.

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03 xullo 2022

Miga XLVII : Memória

 

Memória
*

Dende que nascim por última vez
nom recordo em absoluto quem fum
e agora nom sei quem, nim que podo ser.

E todo o que sei sem saber, sabendo,
de onde foi que saiu, nom entendo.
De onde sairá tanto pensamento ?.

Ideias alheias a mim que eu sinto,
que claramente nom as sinto minhas
e agarro-as com irresistível teima.

Como me chega o sentido consolo,
que recibo quando estou apenado ?,
como um alívio das minhas tristezas,
um sossegado e afetuoso alouminho.

🌟



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29 xuño 2022

Miga XLVI : Vida

 

Vida
*

Tinha um só escenário
o seu inexorável destino.
Pudo mudar o decorado
e tamém aos protagonistas.

Um único escenário
pra representar a sua vida.
Agarrou-se bem forte ao guiom
e bulindo atuou e voou.

A cavalo duma égua branca
apareceu na escena espida.
O Sol alumiou aquel pátio,
fazendo voar à sua Diva.

🌟



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28 xuño 2022

Miga XLV : Noturno

 

Noturno
*

Esse páxaro noturno
que tem medo à luz do dia,
nom conhece as maravilhas
que coa claridade brilham.

Esse pobre vagabundo
que arde ao Sol do médio-dia,
desconhece as alegrias
que saloucam das fervenzas.

Envoltos no arco da velha
jogam os dous nos meus sonhos,
com luz do Sol, bem de dia,
coas milagreiras augas.

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24 xuño 2022

Miga XLIV : Douche o ceo

 

Douche o ceo
*

Nom ofereço pam roubado,
nim regalos interessados
para mercar um coraçom.

Nom dou os bicos enlatados,
nim agarimo mascarado
de manifesta compaixom.

Do que nom é meu nom podo dar,
mas se eu poidera, eu daria
o que nom tenho, ceo e mar.

🌟



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23 xuño 2022

Miga XLIII : A noz

 

A noz
*

A noz, ela soinha
madurará e cairá,
como um presente na man
para nosso sustento.

O esquilo escusa trepar
às ponlas da nogueira,
só tem que agardar no chan
polo seu alimento.

Carrejar à sua cova
os pequenos tesouros,
ò agarimo da choiva,
ò agarimo do vento.

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21 xuño 2022

Miga XLII : Desamor

 

Desamor
*

Orquídeas no corredor
ao agarimo do vento,
ao agarimo do frio,
à claridade do dia.

Noitinhas de desamor
em vida de convento,
sintindo o arrepio
da escuridade da noite.

🌟



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18 xuño 2022

Miga XLI : Amiga Soedade

 

Amiga Soedade
*

Espida e soia,
sem mais paisagem
cuma parede de madeira velha,
calcada no chan
passa as horas mortas
abraçada à sua soidá.

Até que lhe fale a carpintaria
dos seus anos de esplendor
e lhe ensine os seus origens,
entre muntanyas e vales
e abram-se-lhe os olhos
ao amencer dum novo Mundo.

🌟



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13 xuño 2022

Miga XL : Tentaçom

 

Tentaçom
*

Eu fugia da maldade
i encontrei uma navalha
e quando fum a colhe-la,
cortei-me com ela na man.

Entom deixei-na ali quedar,
escondendo-a bem co pé
contra um velho valado.

Nom fora o demo que outro,
tendo tamém tentaçom,
poidera cortar-se com ela.

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10 xuño 2022

Miga XXXIX : Catarse

 

Catarse
*

Um catársico sopro
das entranhas saindo,
expulsa a toleria
cum enorme bocejo
vomitando no Mundo.

Os sapos e morcegos,
que pode tragaria
nom sei onde nim quando,
renovam meu coraçom
e limpam-me a ánima.

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09 xuño 2022

Miga XXXVIII : Claro amencer

 

Claro amencer
*

Vés cair sobre ti
grandíssima pedra,
que vai esmagar-te
sem que haja remédio.

Sem nada que fazer
que evite o desastre,
pecho os olhos, nado
na escura fondura.

Flutuo ingrávido
na nova dimensom,
coa esperança posta
num claro amencer.

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03 xuño 2022

Miga XXXVII : Palavra por palavra

 

Palavra por palavra
*

E palavra por palavra,
no seu sítio cadansua,
irei componhendo versos,
cada um ao seu destino.

E jornada trás jornada,
sem me deter caminharei
e um amencer trás outro
travalharei sem descanso. 

Entom chegará o momento
quando desaparecerei,
levando canda mim tam só
uns recordos que esquecerei.

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27 abril 2022

Miga XXXVI : Sonhos perdidos

 

Sonhos perdidos
*

Esse Sol que colou-se entras nuvens
para alumiar a tua face,
eram os meus sonhos perdidos
indo desesperados em pesca tua.

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01 abril 2022

Miga XXXV : Apariçom

 

Apariçom
*

Cem nhudos na boca da gorja,
que nom os dou desfeito,
nom dou sequer falado,
nem tampouco enviado.

Numha amena conversa
em sonhos cumhas ninfas,
com suspiros dum anjo,
de tenrura sentidos.

Uns agitados pensamentos,
e procederes falangueiros,
diante desta apariçom,
no fascinante sonho.

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18 novembro 2021

Miga XIV : Morrinha

 
Morrinha


A língua antiga
chama por nós,
as suas raices
turram de nós.

Vida singela,
humilde, enxebre,
os nossos eidos,
chamam por nós.

Chamam morrinha
ao berro da Nai,
aquel lamento,
que turra de nós.

Chamam-lhe morrinha
ao assubio do vento,
que a mim arrecende-me,
que habita em nós.

É a morrinha
esse sentimento,
que a mim recorre-me
e leva-me a vós.

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12 novembro 2021

Miga IX : Ser serei

 
Ser serei


Podendo ser auga,
queres ser enigma.
Podendo ser brisa fresca,
sopras lume.

Ser perdom e nom vingança,
abrir portas de esperança.
Voar libre e sem fardos.
Picar pedra, fundar castros.

Ser Lar, nom cova imunda,
abrir caminhos,
que a outros sirvam.
Fazer bem, o malo abonda.

Ser verdade, nom enredo.
Ser derrota se é irmandade,
ser vitória se é sumar.
Ser onda e ser escuma,
cousa liviám, ser pluma.

Ser uma nuve branca,
o linho do tear.
Ser pomba ou rola,
ser ás e voar.

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08 novembro 2021

Miga V : Mocinha de vidro

 

Mocinha de vidro


A mocinha era de vidro,
do mais fino da Boémia,
daquel azul esperança.

Como uma delicada flor,
de turquesa fermosura,
que nom te fartas de mirar.

Minha mocinha de vidro
era um amor em pintura,
que ninguém podia tocar.

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Miga IV : Vidas passadas

 


Ao rebusco polos sendeiros
de sinais de vidas passadas,
rastos de vidas já vividas.

Hai um faro que as alumea,
que em todas as direçons vé-se,
uma luz que nom se consome.

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07 novembro 2021

Miga III : Aura azul

 
Aura azul


Nom vim vir as suas luzes,
só via vir companhia
e agradável conversa.

Nom vim vir tempestade,
que seu corpo anunciava,
via à Nai adorável.

Se houvera visto bem os seus olhos,
eu estaria cego em ledícia
e rendido à sua imagem divina.

Nom vim vir cravo ardente
que atravessou-me o peito
e ardo sem remédio.

Eu tenho um Sol metido no corpo.
É a sua alma que arde coa minha,
sem dar-se consumido.

Medra-me um Universo de luzes,
imparável reaçom en cadea,
que eu nom vim vir sair dos seus olhos.

Nim vim vir a sua aura azul, 
meter-se dentro de mim
para pintar-me o céu.

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05 novembro 2021

Miga II : Veleno

 
Eu mordim uma serpe
e traguei seu veleno.
Estivem com febre
um més e dez dias.

Figem a travessia
do deserto da alma.
Pensei que morria
e volvim à vida.

🌟




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